Novas fraudes e proibições afetam mercado de criptomoedas

Por Henrique Sales –

Praticamente todas as criptomoedas estão em forte queda nesta segunda-feira (5), com o Bitcoin caindo cerca de 12%, cotado a aproximadamente US$ 7,5 mil, e a Ethereum, a segunda maior em valor total de mercado, caindo 16%, a US$ 730. O mercado, que já perdeu metade do seu valor desde meados de dezembro, foi abalado por notícias de uma proibição ainda mais rigorosa na China e pela restrição da compra de criptomoedas com cartões de crédito em importantes bancos nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Investidores ainda foram prejudicados por fraudes nas moedas MartCoin e Monero Gold, além de um erro de programação na POWH, uma moeda criada para ser declaradamente um esquema de pirâmide, mas que mesmo assim atraiu interessados.

Segundo uma reportagem do site “South China Morning Post” com base em informações de uma página ligada ao Banco Popular da China, o banco central chinês, autoridades chinesas pretendem bloquear as corretoras de criptomoedas estrangeiras da rede do país. A medida aumenta o rigor da proibição da compra e venda de criptomoedas na China, que já havia proibido a atividade dentro do país.

Nos Estados Unidos, compradores de criptomoedas enfrentarão resistência dos bancos. Os bancos JPMorgan Chase, Bank of America e Citigroup, três dos quatro maiores do país, anunciaram a proibição da compra de criptomoedas com cartões de créditos emitidos por eles. Os bancos afirmam temer o risco associado com essas compras, segundo a “Bloomberg”.

A mesma proibição foi adotada pelo Lloyds Banking Group no Reino Unido, uma instituição que engloba as marcas Lloyds Bank, Bank of Scotland, Halifax e MBNA. É o segundo maior banco do país em lucro e o terceiro em ativos.

(Foto: Dado Ruvic/Reuters)

Falhas e fraudes

Alguns investidores também foram prejudicados por fraudes e erros em moedas paralelas criadas por meio de “ICOs”. ICOs (“initial coin offerings”) permitem que investidores troquem moedas mais estabelecidas, como bitcoin e ethereum, por uma nova moeda, na esperança de que essa nova moeda suba de valor e gere lucro. Cada moeda justifica seu futuro valor com promessas diferentes sobre seu funcionamento. Muitas delas usam a mesma rede da Ethereum.

Um erro de programação na moeda POWH, criada para ser um esquema de pirâmide para permitir que os participantes apostassem quando o negócio iria falir, permitiu a um golpista emitir uma grande quantidade de moedas em seu nome, inundando o mercado com novas moedas e destruindo seu valor. É possível que a fraude tenha partido dos próprios criadores da moeda ou de um hacker. A página inicial do site da POWH” foi retirada do ar.

Uma tática semelhante foi usada propositalmente pelos criadores da Monero Gold, uma moeda que supostamente tentava ser uma nova versão da Monero, uma moeda conhecida por sua característica de sigilo e anonimato nas transferências. Os criadores da Monero Gold aparentemente usaram o mesmo erro do golpe da POWH para emitir uma quantidade gigantesca de moedas (o número tem 78 algarismos) e derrubar o mercado com a venda das mesmas. A página inicial da Monero Gold traz um “meme” antissemita com uma foto do atentado terrorista de 11 de setembro e uma captura de tela mostrando o número de moedas criado.

Tabela mostrando emissão de “1.157.920…” moedas Monero Gold. Número completo tem 78 algarismos. (Foto: Reprodução)

Ambas as moedas foram construídas sobre a rede da Ethereum. As moedas fazem uso de uma linguagem de programação própria da Ethereum para a criação de novas moedas. Uma característica dessa linguagem a impede de gerar erros fatais no caso dos chamados “overflows”, quando um número é superior ao que deveria ser. Um programador sugeriu em agosto de 2016 que esse comportamento da Ethereum fosse mudado, alegando que isso poderia ser uma “vulnerabilidade de segurança”. A sugestão permanece aberta e não foi acatada (veja aqui, em inglês, no site do Github).

Outra moeda também acusada de esquema de pirâmide, a MartCoin, saiu do ar e impediu investidores de retirarem os fundos investidos, segundo o site “Behind MLM”, especializado em fraudes de pirâmide e marketing multinível. Um órgão regulatório do estado norte-americano do Texas também enviou um mandado aos responsáveis pela DavorCoin para que a moeda cesse suas operações imediatamente. O órgão suspeita que a DavorCoin se trata de um esquema de pirâmide com possível ligação ao BitConnect, que também recebeu a mesma ordem do órgão.

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