Chanel monta praia em Paris para mostrar costura ensolarada

Por Ana Paula –

A grife presenteou os convidados com um dia ensolarado, criando uma praia paradisíaca com direito a ondas, palhoça e areia branca

Após uma semana de sol intenso, a terça-feira (2) amanheceu nublada e fria em Paris, como se o tempo traduzisse o luto dos franceses com a partida inesperada de seu ídolo, o cantor Charles Aznavour, morto no dia anterior.

Dentro do Grand Palais lotado, porém, a Chanel presenteou os convidados com um triz de dia ensolarado, criando uma praia paradisíaca com direito a ondas, palhoça e areia branca, cujos grãos empanaram madames e “monsieurs” sentados em bancos de madeira envelhecida.

Os 360 graus daquela ilha glamorosa, reprodução de Sylt, parte nobre das Ilhas Frísias alemãs, foram preenchidos por uma gigantesca tela de céu azul e dois guarda-vidas. Posicionados em pedestais, os garotos miravam as ondas trajados com shorts tipo os da grife Orlebar Brown.

Talvez inspirado pela compra recente da marca britânica de moda praia masculina pela Chanel, o estilista alemão Karl Lagerfeld desconstruiu códigos clássicos da etiqueta para lhes dar verniz ensolarado.

O tweed dos tailleurs virou base para minissaias e blusões de mangas folgadas, as correntes das bolsas acolchoadas viraram alças de vestidos atoalhados e os paetês bordados desenharam losangos em vestidinhos com franjas.

Em uma das coleções mais completas e comerciais de sua história, cortada a partir de um estudo vasto dos arquivos da Chanel, Lagerfeld criou o que a moda chama de “peças desejo”, produtos criativos com alto potencial de venda.

Uma bolsa em formato de bola, dessas bicolores que as crianças jogam na praia, chapéus de palha arrematados com laço preto -a marca é dona da Maison Michel, ateliê artesanal desse tipo de acessório e signo de nobreza na cabeça dos endinheirados- e sandálias rasteiras com o nome da marca estampado.

Até o jeans foi incluído no repertório, virando base de calça de corte solto, o “boyfriend”, combinada a um maiô preto e branco.

Com mão afiada para costurar a iconografia pop à alta-costura, Lagerfeld forra vestidinhos curtos e conjuntos intercambiáveis com desenhos de guardassóis vermelho e branco, imagens símbolo desta coleção de verão 2019 e tão vendáveis quanto os astronautas da temporada de inverno 2018, desfilada em março do ano passado.

Se naquele desfile espacial a grife mandava as regras de beleza para o espaço ao som de “Rocket Man”, de Elton John, neste a marca pousou em terra macia embalada por “L’Amour à La Plage”. O hit da dupla Niagara resume o conto romântico e iluminado que a Chanel constrói como escape para esses dias sem cor. Com informações da Folhapress.

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